quarta-feira, 14 de março de 2012

FRANCISCO MOITA FLORES NA NOSSA SEMANA DA LEITURA

 Agradecemos a presença de Francisco Moita Flores na nossa escola, no dia 9 de Março, no âmbito da Semana da Leitura... Ouvimos atentamente a sua prelecção. 


terça-feira, 13 de março de 2012

Autor do Mês de Março: Francisco Moita Flores

Quem sou eu? – Francisco Moita Flores

(1953...)

(Autobiografia inventada)


        Desde que me recordo de ser gente que gosto de observar tudo o que me rodeia, especialmente de observar a vida e toda a energia que ela tem.
        Venho de uma família pobre de camponeses. Vivíamos num monte, na estrada que vai de Moura para Barrancos e para a Amareleja. Cedo aprendi a gostar de ler e lia por causa das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Trouxe do Alentejo um sentido de liberdade muito grande. A minha escola tinha o maior recreio do mundo. Quando saíamos da aula tínhamos o monte à nossa frente, um ribeiro ao lado, laranjais, caminhos enormes. Esse sentimento de liberdade, que era demorado, que não tinha automóveis, que não tinha medos, ficou-me como uma marca distintiva. Essa fome de liberdade. A minha juventude foi marcada pelos estudos (estudei em Moura até aos quinze anos. Depois, Beja.) e pelo 25 de Abril. Tinha vinte e dois anos e muitos sonhos. Vivia em Lisboa, onde concluí o bacharelato em Biologia, já em 1975. Neste ano tive uma breve, mas intensa, experiência no ensino secundário. Esta promissora carreira foi interrompida para abraçar uma outra, a da polícia e o mundo da investigação. Sempre gostei de investigar, de questionar, de mexer as águas. Entrei, assim para a Polícia Judiciária e pertenci a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios, onde permaneci até 1990. Contactei de perto com a criminalidade violenta e vi quanto a vida, às vezes, se aproxima terminalmente da morte. Dediquei-me novamente ao ensino, mas em 92, estava novamente na polícia para proceder a estudos e avaliações do movimento criminal. Era um trabalho mais de assessoria e secretaria, que me proporcionou um conhecimento mais aprofundado do fenómeno policial e da própria criminalidade. Este ambiente, mais calmo, permitiu estudar, mais e sempre. Assim, licenciei-me em História, e doutorei-me pelo Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Depois, fiz Sociologia, especializando-me em Sociologia Urbana, e mais tarde em Criminologia no Instituto de Criminologia da Lausanne e depois na Sorbonne, onde acabei por lecionar.
        Entretanto e simultaneamente, o gosto pela leitura e pelos livros levaram-me, quase num imperativo, numa obrigação, à escrita. Gosto de o fazer com paixão e o que escrevo resulta essencialmente de dois fatores – da vida vivida e da vida dos livros que li e estudei. Por isso, tenho escrito um pouco de tudo: ensaios, crónicas, romances, guiões para filmes. Já agora, participei no programa televisivo Casos de Polícia, programa que teve (penso) o mérito de aproximar a vida dos polícias e da investigação policial da vida do comum das pessoas. Daqui até a vida pública ativa foi um passo. Aceitei o apoio de muitas pessoas que me encorajaram a dar a cara e a contribuir pelo bem comum. Por isso, como independente integrei as listas de candidatos às autarquias. Assim, de um dia para o outro vi-me à frente da cidade de Santarém, trabalho que exerço com espírito e a dedicação que sempre tive em tudo.
        Atualmente e além do trabalho na autarquia de Santarém, dedico-me ao que mais gosto, ao que me dá mais prazer – o fazer dos livros.
Tenho aqui algo que gostaria de dizer: “Às vezes, quando me deparo com pessoas belicosas, sobretudo as mais jovens, não há paciência... porque... a morte cheira mal, sabem? Os cadáveres cheiram mal. O que nos afasta da morte é o caminho que nos pode dar felicidade e permite que a gente se encontre de uma forma amistosa. (…) Aprendi uma coisa decisiva: não podemos perder um minuto da nossa vida, porque tudo é rápido e efémero. Devemos tentar fazer que a vida seja um minuto de construção de coisas que agradem aos outros e a nós também. A nossa relação com quem nos rodeia tem de ser pautada por aquilo que a morte nos tira: o toque com o outro, o corpo. A relação com o corpo. Morrer não é fechar os olhos e parar o coração. Morrer é a ausência do abraço e das palavras. Isso é que é morrer.”


OBRA:

Guiões
Obras literárias
Ensaios

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Concurso Nacional de Leitura

Alunos Apurados:


JOÃO BISCAIA, 11º C
ROSA APARÍCIO, 10º C
ANA RITA PINTO, 12º B


para participarem na 2ª fase do CNL, a ser realizada em local e data a definir pelo Plano Nacional de Leitura.

CARNAVAL 2012 NA BIBLIOTECA ESS


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sessão de divulgação da ação da AMI

No âmbito do projeto aler+ - Ler/Educar para a cidadania, as bibliotecas escolares dinamizaram sessões de esclarecimento/educação para os direitos humanos das quais destacamos a palestra com o Dr. Paulo Pereira, do Centro Porta Amiga de Coimbra, delegação de Coimbra da AMI.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados - S. Valentim 2012




Autor do Mês de Fevereiro: Almeida Garrett

Quem sou eu? – Almeida Garrett
(1799-1854)
(Autobiografia Inventada)
Nasci no Porto, mas criei-me, em Gaia, na liberdade da Quinta do Sardão, pertença do meu avô materno, em Oliveira do Douro. Essa existência livre acabou por marcar e definir todo o rumo da minha vida. A adolescência passei-a na Ilha Terceira (Açores) e foi por essa altura que tive a minha primeira experiência amorosa com Luísa Midosi, que tinha 14 anos e foi a minha primeira mulher – casámos em 1822.
Em 1816 mudei-me para Coimbra para estudar direito. Deixei-me envolver pelo espírito aventureiro e instável da academia e aí escrevi os meus primeiros textos, nomeadamente o Retrato de Vénus, que foi considerado um atentado ao pudor e, por isso, fui acusado de imoral. A minha irreverência e a ideologia libertária envolveram-me diretamente nas lutas liberais. Participei nos confrontos contra os miguelistas ou legalistas, opositores à nova carta constitucional. Após o golpe da Vilafrancada fui forçado ao exílio em Inglaterra. Este país era, já em 1823, um exemplo de liberdade e cidadania. Amadureci os meus ideais políticos e descobri Shakespeare, Walter Scott e outros autores. Visitei também castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que iriam, definitivamente, influenciar as minhas opções literárias.
Em 1824 prossegui o meu exílio em França. Os dois anos seguintes viram nascer duas obras emblemáticas do romantismo: Camões e D. Branca. Em 1826 consegui regressar a Portugal e tive uma experiência jornalística, dirigindo o diário O Português e o semanário O Cronista.

1828 foi um ano dramático: regressou D. Miguel, o rei absolutista e, por isso, fui forçado novamente ao exílio, em Inglaterra. Além disso, perdi a minha primeira filha quase recém-nascida. Apesar destes infortúnios, publiquei a Adozinda. Por esta altura as vozes liberais em Portugal eram cada vez mais fortes e originaram a revolta. Saído de Inglaterra, participei no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto (1832 e 33); acontecimentos que marcaram o início do fim do absolutismo em Portugal. Com a paz assegurada e com a criação da Carta Constitucional, dediquei-me, então, à vida pública e cultural. Participei nas Cortes e os meus discursos centraram-se no fomento de um Portugal mais progressista. Em 1843 realizei a famosa viagem de Lisboa ao Vale de Santarém, que serviu de inspiração para a novela Viagens na Minha Terra. Na cultura criei o Conservatório de Arte Dramática, a Inspecção-Geral dos Teatros, o Panteão Nacional e o Teatro Normal (actualmente, Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir um teatro, procurei, sobretudo, renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro. Assim entreguei-me de corpo e alma à produção de peças de teatro, nomeadamente, O Alfageme de Santarém, Um Auto de Gil Vicente, Frei Luís de Sousa (1843) e Falar Verdade a Mentir.         
Depois, com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, afastei-me da vida política, apesar de ainda ter criticado, veementemente, a proposta de lei da imprensa, conhecida por “lei das rolhas”. Regressei à vida política em 51, na altura da Regeneração, e aceitei o título de Visconde e o cargo de ministro.
Para a minha história pessoal e íntima, contam-se as intensas relações amorosas. Depois da separação de Luísa Midosi (1835), iniciei uma relação com Maria Adelaide Pastor. Permanecemos juntos até à sua morte em 1841. Morreu, mas deixou-me a minha filha Maria Adelaide… Depois, em 1846 experimentei novamente o amor com Rosa de Montufar Infante, conhecida por Viscondessa da Luz, que me irá acompanhar até ao fim dos meus dias.