terça-feira, 1 de outubro de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Visita ao Arquivo Municipal
O 10º D também fez a sua descoberta do Arquivo Municipal. A Drª Marta Martins, Arquivista Municipal, mostrou-nos documentos que não sonhávamos que existiam e contou-nos pormenores interessantes sobre o nosso concelho.
Percebemos que há ainda tanto para aprender e pesquisar...
segunda-feira, 25 de março de 2013
Projeto Ler+ Jovem - Visita ao Arquivo Municipal
Foi assim a nossa visita ao Arquivo Municipal da Sertã, que funciona no edifício da Câmara Municipal da Sertã:
...muitos livros com História...
...muitas notícias antigas do nosso concelho...
...muito interesse e muita curiosidade...
...muitos exemplares "velhinhos" do jornal do nosso concelho e doutras publicações outrora existentes...
...enfim, muitas descobertas e inúmeras possibilidades de mais descobertas e aprendizagens.Vamos "mergulhar"no Arquivo Municipal e descobrir a história do nosso concelho. Com a ajuda preciosa da Drª Marta Martins, a nossa Arquivista Municipal.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Autor do mês de Junho: Sandra Carvalho
(Sesimbra -1972)
(Autobiografia própria)
Bem vindos ao meu sonho!
Nasci a 29 de Junho de 1972, em Sesimbra, numa rua
antiga virada para o mar.
Sou
uma sonhadora. Vivo com a cabeça nas nuvens… mas os pés estão bem assentes na
terra. Sou fruto de um pescador e de uma contadora de histórias, e tive a sorte
de crescer entre a praia de Sesimbra e a Serra da Arrábida. A minha cabeça
estava sempre enterrada em livros. Devorava-os com sofreguidão. Comecei a
escrever por volta dos onze anos, só para a família e os amigos. Por prazer.
Por paixão. Por necessidade também…
Para
mim, a escrita é tão essencial como a comida e o sono. No entanto, nunca tive a
ambição assumida de publicar. Até costumo dizer que esse era o sonho que eu não
me atrevia a sonhar. Das dezenas de histórias que fui imaginando e construindo
ao longo dos anos, a Saga das Pedras Mágicas foi aquela que acabou por me
prender de corpo e alma. Cresci dividida entre o mundo real e os incontáveis universos criados pela
minha mente, sem nunca reunir coragem para revelá-los... Quando o meu marido terminou de ler o
manuscrito que deu origem aos livros “A Última Feiticeira” e “O Guerreiro Lobo”
começou a pressionar-me para que o enviasse para uma editora. Recusei-me a
fazê-lo. Achava que o mundo podia acabar no dia em que um profissional se
pronunciasse sobre o meu trabalho. Pelo menos, o meu mundo! Após dois anos a
bater-se contra a minha teimosia, o meu marido enfiou o manuscrito num envelope
e entregou-o ao juízo da Editorial Presença. E foi assim, desta maneira
improvável e um pouco louca, que esta aventura fantástica começou e foi
possível dá-la a conhecer a todos os que comigo quiserem sonhar.
Esta aventura que estou a viver, e que desejo
partilhar convosco, é a prova de que os sonhos se tornam realidade. Espero que
a vossa satisfação ao ler as minhas palavras seja tão plena como a que eu sinto
ao escrevê-las.
Sobre
mim
Estilo e Ritmo de Escrita:
Escrevo com o coração. Esqueço tudo o que me rodeia. Saio da minha pele, piso os cenários e visto a pele das personagens. Isso torna-as complexas, humanas, reais… É cansativo, mas divertido. E extremamente compensador porque, assim como dou por mim a rir, a chorar, a indignar-me e a maravilhar-me quando mergulho no universo da Saga, também o leitor sente essas emoções ao entrar na história. Dedico-me à escrita sempre que posso. Não me falta inspiração… Falta-me tempo para lhe dar vida! Mas sem angústias. Um passo de cada vez.
Influências:
Nós somos o produto das experiências que já vivemos e dos conhecimentos que assimilámos nesse percurso. No fim, tudo o que eu vi, ouvi, li, sonhei e senti ao longo da vida acaba por me definir como pessoa e manifestar-se, quer seja de forma explícita ou velada, no mundo que estou a criar. Sempre que me perguntam qual a minha autora preferida, respondo: Marion Zimmer Bradley. Porquê? Tinha treze anos quando li as Brumas de Avalon pela primeira vez e fiquei fascinada pelo modo como a autora dava voz às personagens femininas, num universo dominado por heróis masculinos. Tentei fazer o mesmo com a Saga. Gosto de pensar que consegui.
O livro que mais gostou de escrever e porquê:
A Saga das Pedras Mágicas é uma única história, contada por três gerações de mulheres ao longo de sete livros. É impossível dizer qual deles me deu maior satisfação a compor ou indicar um favorito, pois todos fazem parte de mim. Esta aventura cresceu comigo e acompanha-me a cada passo. Apenas costumo destacar os dois primeiros volumes porque resultaram daquilo que, a gracejar, chamo a “idade da inocência”. Escrevi-os sem quaisquer pretensões… Jamais me passou pela cabeça que, um dia, haveriam de chegar às mãos de alguém que eu não conhecia. Isso torna-os especiais, pois são os responsáveis pela realização do meu sonho.
O que nos espera no futuro:
Tenho projetos guardados que só precisam de um pouco de reflexão. Aventuras extraordinárias. Histórias de amor e amizade. O Fantástico concede-me liberdade criativa para explorar outros géneros literários que também me encantam. As possibilidades são inesgotáveis! Além disso, recebo muitos pedidos de leitores para, no futuro, regressar às histórias secundárias que enriquecem a Saga e explorá-las em profundidade. Eventualmente, acabarei por fazê-lo, pois, apesar de algumas personagens terem seguido rumos que as distanciaram da intriga das pedras mágicas, continuam a clamar pela minha atenção. Enquanto os meus leitores me apoiarem e acarinharem, não me faltarão forças para escrever.
Dicas e Conselhos a jovens que querem ser escritores:
Leiam não só aquilo que à primeira vista vos atrai, mas um pouco de todos os géneros, para expandirem horizontes e aguçarem o espírito crítico. Devorem conhecimento dentro das mais variadíssimas áreas, porque é verdade que este não ocupa espaço. Pesquisem sobre as matérias que vos interessam e amadureçam as ideias antes de queimarem as pestanas em frente do computador. Questionem ao escrever: o que é que eu posso fazer para melhorar o meu trabalho? E, principalmente, descubram se a vossa escolha é um ato de paixão. Porque só uma grande paixão compensa todos os sacrifícios pessoais, sociais e profissionais que a escrita impõe! Por fim, estendam as asas, deem o derradeiro passo e lancem-se a voar. A experiência ensinou-me que as críticas não nos matam. Pelo contrário, ajudam-nos a crescer; tornam-nos mais fortes, mais batalhadores. Não há que ter medo de arriscar, de lutar pelos nossos sonhos… Retirem satisfação da vida, quer seja a escrever ou a fazer outra coisa qualquer. Nada mais importa, além da felicidade.
Estilo e Ritmo de Escrita:
Escrevo com o coração. Esqueço tudo o que me rodeia. Saio da minha pele, piso os cenários e visto a pele das personagens. Isso torna-as complexas, humanas, reais… É cansativo, mas divertido. E extremamente compensador porque, assim como dou por mim a rir, a chorar, a indignar-me e a maravilhar-me quando mergulho no universo da Saga, também o leitor sente essas emoções ao entrar na história. Dedico-me à escrita sempre que posso. Não me falta inspiração… Falta-me tempo para lhe dar vida! Mas sem angústias. Um passo de cada vez.
Influências:
Nós somos o produto das experiências que já vivemos e dos conhecimentos que assimilámos nesse percurso. No fim, tudo o que eu vi, ouvi, li, sonhei e senti ao longo da vida acaba por me definir como pessoa e manifestar-se, quer seja de forma explícita ou velada, no mundo que estou a criar. Sempre que me perguntam qual a minha autora preferida, respondo: Marion Zimmer Bradley. Porquê? Tinha treze anos quando li as Brumas de Avalon pela primeira vez e fiquei fascinada pelo modo como a autora dava voz às personagens femininas, num universo dominado por heróis masculinos. Tentei fazer o mesmo com a Saga. Gosto de pensar que consegui.
O livro que mais gostou de escrever e porquê:
A Saga das Pedras Mágicas é uma única história, contada por três gerações de mulheres ao longo de sete livros. É impossível dizer qual deles me deu maior satisfação a compor ou indicar um favorito, pois todos fazem parte de mim. Esta aventura cresceu comigo e acompanha-me a cada passo. Apenas costumo destacar os dois primeiros volumes porque resultaram daquilo que, a gracejar, chamo a “idade da inocência”. Escrevi-os sem quaisquer pretensões… Jamais me passou pela cabeça que, um dia, haveriam de chegar às mãos de alguém que eu não conhecia. Isso torna-os especiais, pois são os responsáveis pela realização do meu sonho.
O que nos espera no futuro:
Tenho projetos guardados que só precisam de um pouco de reflexão. Aventuras extraordinárias. Histórias de amor e amizade. O Fantástico concede-me liberdade criativa para explorar outros géneros literários que também me encantam. As possibilidades são inesgotáveis! Além disso, recebo muitos pedidos de leitores para, no futuro, regressar às histórias secundárias que enriquecem a Saga e explorá-las em profundidade. Eventualmente, acabarei por fazê-lo, pois, apesar de algumas personagens terem seguido rumos que as distanciaram da intriga das pedras mágicas, continuam a clamar pela minha atenção. Enquanto os meus leitores me apoiarem e acarinharem, não me faltarão forças para escrever.
Dicas e Conselhos a jovens que querem ser escritores:
Leiam não só aquilo que à primeira vista vos atrai, mas um pouco de todos os géneros, para expandirem horizontes e aguçarem o espírito crítico. Devorem conhecimento dentro das mais variadíssimas áreas, porque é verdade que este não ocupa espaço. Pesquisem sobre as matérias que vos interessam e amadureçam as ideias antes de queimarem as pestanas em frente do computador. Questionem ao escrever: o que é que eu posso fazer para melhorar o meu trabalho? E, principalmente, descubram se a vossa escolha é um ato de paixão. Porque só uma grande paixão compensa todos os sacrifícios pessoais, sociais e profissionais que a escrita impõe! Por fim, estendam as asas, deem o derradeiro passo e lancem-se a voar. A experiência ensinou-me que as críticas não nos matam. Pelo contrário, ajudam-nos a crescer; tornam-nos mais fortes, mais batalhadores. Não há que ter medo de arriscar, de lutar pelos nossos sonhos… Retirem satisfação da vida, quer seja a escrever ou a fazer outra coisa qualquer. Nada mais importa, além da felicidade.
(Excerto de uma entrevista presente em https://www.presenca.pt)
Obra
Sandra
Carvalho é uma jovem escritora que tem vindo a afirmar-se como uma criadora
incontornável da high fantasy em língua portuguesa. A sua Saga das Pedras
Mágicas, que a Presença tem vindo a publicar, desperta um interesse crescente e
entusiástico entre os apreciadores do género, que aguardam sempre com enorme
expectativa o volume seguinte.
Até ao momento saíram já, em ritmo imparável, A Última Feiticeira, O
Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo e Os Três Reinos, A
Sacerdotisa dos Penhascos e O Filho do Dragão, o último livro da Saga.
De assinalar que o nosso Agrupamento já recebeu a Sandra Carvalho no
âmbito de uma Feira do Livro, no ano de 2008.
A
Última FeiticeiraSinopse: A ação decorre num tempo em que os sábios Druidas se recolhiam nas florestas para perpetuarem o Conhecimento que em eras passadas lhes fora transmitido pelos Seres Mágicos. O berço da heroína desta história, Catelyn, e dos seus cinco irmãos varões, situa-se na Grande Ilha, cada vez mais fustigada pelos ataques dos Viquingues. Os senhores locais formaram uma Aliança para os repelirem, consolidando essa política através de casamentos combinados entre os herdeiros das grandes famílias. Depois de uma infância feliz, Catelyn cresce num mundo cada vez mais violento, assistindo impotente às manipulações da maldosa Myrna, a protegida do homem com quem o pai de Catelyn destinou casá-la.
O
Guerreiro Lobo
Sinopse: Catelyn é levada com os seus
captores para a Terra Antiga. Aí, a jovem feiticeira descobre os fios que
entretecem o seu próprio destino com o daqueles que agora a acolhem. Descobre
igualmente que aquele viquingue que a salvou de uma morte certa é alguém que
ela já tinha vislumbrado em intrigantes visões. Throst, filho de Thorgrim, é
agora o seu senhor. Mas os segredos do Universo, guardados no topo da Montanha
Sagrada são indiferentes aos desígnios humanos. Catelyn anseia por apoiar as
mãos na Pedra do Tempo e encontrar a solução para os enigmas que a atormentam.
Quando o sangue derramado no mar clama por vingança, a heroína enfrenta a mais
difícil das decisões: regressar à Grande Ilha, para derrotar Gwendalin e salvar
o seu povo, ou permanecer na Terra Antiga, livrar o Guerreiro-Lobo da maldição
que o condena, e ajudá-lo na sua grande missão?
Lágrimas do Sol e da Lua
Sinopse:
No coração da
Floresta Sombria, Aesa, rainha do povo vândalo e mestra da Arte Obscura,
engendra um plano para se apoderar das sete pedras mágicas da Feiticeira
Aranwen. Entretanto, na Ilha dos Sonhos, Catelyn e Throst, o Guerreiro-Lobo,
preparam as suas filhas Edwina, Thora e Freya para assumirem os seus próprios
destinos. Edwina, a primogénita, aceita tornar-se Guardiã da Lágrima do Sol e
aguarda o chamamento da Pedra do Tempo. Do outro lado do mundo, Sigarr, irmão
de Aesa, treina Edwin para tentar concretizar a profecia que dita que o filho
varão do Rei da Lua e da Rainha do Sol terá o poder de fundir a Arte Obscura e
a Arte Luminosa para atingir o conhecimento absoluto. Alcançará ele o seu
propósito ou ainda haverá esperança de libertar a Lágrima da Lua?
Círculo
do Medo
Sinopse: No último volume Edwina assistiu ao
desaparecimento do seu amado Edwin nas águas profundas do oceano. Na sombra, os
mestres da Arte Obscura conspiram: não desistem de se assenhorear das Pedras
Mágicas da feiticeira Aranwen. Julgando Edwin morto, Edwina, a Rainha do Sol,
desposa Ivarr, e todos esperam dela um herdeiro que perpetue a linhagem dos
reis vinquingues. Mas será que mistérios ainda ocultos virão alterar o rumo dos
acontecimentos? Poderão, como profetizado, as essências do Sol e da Lua
fundirem-se numa só, para darem origem a um Conhecimento superior, como o de um
deus? Serão os nossos heróis capazes de superar todas as provas que lhes estão
reservadas? Os Três Reinos
Sinopse: Neste quinto volume de A Saga das Pedras Mágicas, as sombras da
morte e da guerra alastraram sobre o Norte do Mundo e Thora, a loba prateada,
desespera ao saber do destino das suas irmãs. Freya encontra-se prisioneira de
Aesa, a rainha feiticeira do povo vândalo, enquanto Edwina, a Guardiã da
Lágrima do Sol, foi mortalmente ferida. Será que desta vez nem Edwin, o
Guardião da Lágrima da Lua, conseguirá resgatar a sua amada? Do Império, a sul,
chegam rumores de que aquele que traz consigo o propósito de lançar sobre a
Terra a escuridão eterna já encarnou o Homem. Que esperança restará aos
defensores do Bem, quando até as pedras mágicas da feiticeira Aranwen estão
agora nas mãos do inimigo? Estará a profecia dos Três Reinos condenada a
perder-se nesta luta caótica sem jamais se concretizar? A Sacerdotisa dos Penhascos

Sinopse: Os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito. Kelda, luta por cumprir os desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma, resgatar Halvard e levar a cabo a missão que herdou da sua avó Catelyn. Este é o sexto volume de uma das séries fantásticas mais acarinhadas pelos leitores portugueses, A Saga das Pedras Mágicas.
O Filho do Dragão
Sinopse: Após a
batalha que reduziu a Ilha dos Sonhos a cinzas, Kelda assume-se como
Sacerdotisa dos Penhascos para salvar o seu povo. Contudo, terá de combater
Deimos, o rei do Povo do Fogo, e o terrível feiticeiro Sigarr. Na Terra das
Montanhas de Areia, centenas de navios de guerra estão prontos para navegar rumo
ao Império e à Grande Ilha, enquanto os Seres Superiores se digladiam entre si.
Kelda apenas pode contar com a preciosa ajuda da Observadora Íris, a única que
tem a coragem de contradizer o Conselho. Conseguirá Kelda manter a essência
pura, libertar o irmão da influência de Sigarr e salvar os Viquingues e os
Aliados? Ou será obrigada a erguer armas contra aqueles que jurou proteger?

terça-feira, 22 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Autor do mês de Maio: Natália Correia
Quem sou eu? – Natália Correia
(S. Miguel -1923; Lisboa - 1993)
(Autobiografia inventada)
Autorretrato
Espáduas
brancas palpitantes:
asas
no exílio dum corpo.
Os
braços calhas cintilantes
para
o comboio da alma.
E
os olhos emigrantes
no
navio da pálpebra
encalhado
em renúncia ou cobardia.
Por
vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme
a noite. Conforme o dia.
Molusco.
Esponja
embebida
num filtro de magia.
Aranha
de ouro
presa
na teia dos seus ardis.
E
aos pés um coração de louça
quebrado
em jogos infantis.
Quando eu morrer quero ser recordada
pelo que escrevi. Não sei se foi por ter nascido em Ponta Delgada (Fajã de
Baixo), sempre vi Portugal como uma manta de retalhos e a sensação de um íntimo
isolamento de alguém que nasceu numa ilha havia de me acompanhar para sempre. Esse
isolamento criou em mim um espírito livre que me havia de levar ao confronto
ideológico e à defesa dos meus ideais.
Aos onze anos cheguei à capital e
estudei no Liceu Filipa de Lencastre. Tempos difíceis que marcariam toda a
minha vida: o estado novo estava no auge da sua influência e a censura descaradamente
entrava em todos os lugares. Assim, ainda no liceu, envolvi-me em formas de
contestação típicas da juventude. Mais ou menos irreverentes, mais ou menos
espontâneas. Mais tarde, em 1945, tomei
parte ativa nos movimentos de oposição ao regime ditatorial, tendo participado
no MUD (Movimento de Unidade Democrática), no apoio às candidaturas para a
Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade
Democrática, 1969). Entretanto, a leitura e a necessidade de escrever já se
tinham entranhado em mim; fui, por isso, condenada a três anos de prisão, com
pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e
Satírica, considerada ofensiva dos bons
costumes, em 1966. Comecei por escrever literatura infantil (A Grande Aventura de um Pequeno Herói, 1945)
e pelo romance (Anoiteceu no Bairro, 1946), mas foi na poesia que encontrei a
expressão mais natural e que sempre me possibilitou a intervenção social que
queria ter.
Fundei o bar Botequim, em 1971, com Isabel Meireles,
Júlia Marenha e Helena Roseta. Era ali que, durante as décadas de 70 e 80, se
reunia grande parte da intelectualidade portuguesa. Fui amiga de António
Sérgio, David Mourão-Ferreira, Mário Soares, José-Augusto França, Luiz Pacheco,
Almada Negreiros, Ary dos Santos. Convivi e recebi em casa homens de letras como
Henry Miller, Graham Greene e Eugène Ionesco.
Sentimentalmente destacam-se os meus três casamentos,
mas apenas ao último fui verdadeira.
Em 1979 fui eleita como
deputada à Assembleia da República pelo Partido Popular Democrático (PPD) e aí
desenvolvi intensa atividade em prol da defesa dos direitos humanos e, em
particular, dos direitos da mulher, até ao ano de 91.
O sentido da minha vida
fez-se FAZENDO.
- Mulher forte, irreverente,
contraditória - e de beleza extraordinária. Com intensa versatilidade,
dedicou-se a vários géneros literários. Natália Correia sempre se recusou a ser
uma figura decorativa, peça que entrava e saía do palco segundo as regras da
compostura.
- “Uma
mulher imperial” - Clara Ferreira Alves.
Obra
- Grandes Aventuras de um Pequeno Herói (romance infantil), 1945
- Anoiteceu no Bairro (romance), 1946 ; 2004
- Rio de Nuvens (poesia), 1947
- Descobri Que Era Europeia:
impressões duma viagem à América (viagens), 1951 ; 2002
- Sucubina ou a Teoria do Chapéu (teatro) 1952
- Poemas (poesia), 1955
- Dimensão Encontrada (poesia), 1957
- O Progresso de Édipo (poema dramático), 1957
- Passaporte (poesia), 1958
- Poesia de Arte e Realismo
Poético
(ensaio), 1959
- Comunicação (poema dramático), 1959
- Cântico do País Emerso (poesia), 1961
- A Questão Académica de 1907 (ensaio), 1962
- Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à atualidade (Antologia), 1965 ; 2000
- O Homúnculo, tragédia jocosa (teatro),
1965
- Mátria (Poesia), 1967
- A Madona (Romance), 1968 ; 2000
- O Encoberto (Teatro), 1969 ; 1977
- O Vinho e a Lira (Poesia), 1969
- Cantares dos Trovadores
Galego-Portugueses
(Antologia), 1970 ; 1998
- As Maçãs de Orestes (Poesia), 1970
- Trovas de D. Dinis, [Trobas
d'el Rey D. Denis]
(Poesia), 1970
- A Mosca Iluminada (Poesia), 1972
- O Surrealismo na Poesia
Portuguesa
(Antologia), 1973 ; 2002
- A Mulher, antologia poética (Antologia), 1973
- O Anjo do Ocidente à Entrada do
Ferro
(Poesia), 1973
- Uma Estátua para Herodes (Ensaio), 1974
- Poemas a Rebate, (poemas censurados) (poesia),
1975
- Epístola aos Iamitas (poesia), 1976
- Não Percas a Rosa. Diário e
algo mais
(Diário), 1978 ; 2003
- O Dilúvio e a Pomba (poesia), 1979
- Erros Meus, Má Fortuna, Amor
Ardente
(teatro), 1981; 1991
- Antologia de Poesia do Período
Barroco
(antologia), 1982
- Notas para uma Introdução às
Cantigas de Escárnio e de Maldizer Galego-Portuguesas (ensaio), 1982
- A Ilha de Sam Nunca: atlantismo
e insularidade na poesia de António de Sousa (antologia), 1982
- A Ilha de Circe (romance), 1983 ; 2001
- A Pécora, peça escrita em 1967
(teatro), 1983 ; 1990
- O Armistício (poesia), 1985
- Onde está o Menino Jesus? (contos), 1987
- Somos Todos Hispanos (ensaio), 1988 ; 2003
- Sonetos Românticos (poesia), 1990 ; 1991
- As Núpcias (romance), 1992
- O Sol nas Noites e o Luar nos
Dias
(poesia completa), 1993 ; 2000
- Memória da Sombra, versos para esculturas de
António Matos (poesia), 1993
- D. João e Julieta, peça escrita em 1959
(teatro), 1999
- A Ibericidade na Dramaturgia
Portuguesa
(ensaio), 2000
- Breve História da Mulher e
outros escritos
(antologia de textos de imprensa), 2003
- A Estrela de Cada Um (antologia de textos de
imprensa), 2004
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